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Blog de yama
 


Quadrúpede

 

Quase sempre não me caibo em sensações, em instinções que me consomem e ardem como a labareda mais quente do sétimo círculo. É um momento de selvageria crônica, que domina desde a planta até o abstrato. Momento de rasgar, despir, perfurar, consumir, selvagem...

Momento de ladrar, morder, gritar, roer, cheirar, lamber, feroz...

Impulsiona todo o meu ser a adentrar ferozmente o cio calculado e provocativo.



Escrito por yama às 11h39
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Muda

A vida muda, muda-se a vida, muda, vida

Muda, se muda se manter, não muda

A vida, se manter-se muda, não, não se emude

Mudar a vida depende de não se manter muda.



Escrito por yama às 13h13
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Sol e dão

 

PALAVRAS VIVEM SOLTAS E SE UNEM NA INTENÇÃO DO SER

QUERER DIZER O INDIZÍVEL OU VER O QUE NÃO SE VÊ

ENTENDER DE EMOÇÕES QUE EM NADA SE FAZEM VISTAS

MAS PONTEAM SEU PEITO E RASGAM SUAS VÍSCERAS

VOCÊ NÃO VÊ, MAS SENTE, TEM CERTEZA DO QUE ESTÁ DENTRO DE VOCÊ

EMBORA TENTE EXPRESSAR, EM PALAVRAS, ELAS FLUEM COMO UM RIO CORRENTE PRO MAR

APÓS DITA, SE MISTURAM AO OCEANO QUE PERMEIA NO AR

NÃO POSSO DIZER O QUE TE SINTO

NEM POSSO PROVAR COM PALAVRAS

MAS É PROVÁVEL, ATRAVÉS DOS MEUS GESTOS, QUE EU CONSIGA TE DIZER TUDO QUE SINTO POR TI E DE MANEIRA SINGELA FAZER

COM QUE SINTAS O QUE SINTO, EM SINTONIA COM O QUE PINTO

COMO EM UMA TELA EM PRETO E BRANCO, QUE COLORIDA SE TORNA AO PRANTO

DO LAMENTO DO ANJO CAÍDO QUE DE ARCO-ÍRIS SE FAZ O ENCANTO

DO MEU SE(R)NTIMENTO INDIZÍVEL E INAPALAVRADO DE MINH´ALMA QUE LAMENTA A DISTÂNCIA... QUERIA EU ESTAR AO TEU LADO, PARA TE PROVAR A NUANCIA DE MEUS TIMBRES EM PRETO E BRANCO, QUE SÓ SE FAZEM MATIZ COM TI... SENTIR A TI... TOCAR A TI... VIVER COM TI... GO...



Escrito por yama às 14h48
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Luz inatingível

Pelas estrelas tenho andado

E por mundos vagado

A busca do infinito

que se constitui a vontade.

Nunca chego à ele

pois ele não é palpável

seria se o quisesse

e se, também, coragem coubesse.

Vagando por tantos lugares

chego a me perder

entre cosmos e cosmopolitas

e estrelas e estrela.

Aquela luz opaca e bem visível

é palpável e indisível

O medo traz a conta

que cobra um Buraco Negro

engole tudo sem distinção

sem saber do seu jeito.

A estrela que é a luz

está perto de meu alcance

O imã que a traz até mim

a repele.

é o medo de pele.

 

 



Escrito por yama às 16h02
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Questionamentos psicológicos acerca do existencialismo humano: por uma abordagem da necessidade.

Questionamentos psicológicos acerca do existencialismo humano: por uma abordagem da necessidade.

Carlos Guimarães de Melo Assis

Este pequeno esboço de escrita busca trazer a tona alguns questionamentos reflexivos sobre a necessidade humana. Vou fazer isso, sem pensar epistemologicamente, utilizando da famosa “psicologia de bar” ou “freudiana”. Para começar, te indago: Qual sua necessidade? Necessidade no sentido de qual necessidade te falta intermitentemente, aquela que te instiga e te faz correr todos os dias contra o tempo em busca dela. Você sabe qual? Minha teoria é a de que você não sabe! Podemos crer que sabemos, mas, por fim, entendemos que tudo sempre é paliativo, sempre incompleto, sempre falta um algo mais. E é aí onde está a essência humana: na necessidade. Vamos seguir pelos exemplos de vida clássicos. Você tem um emprego, esposa, filho(s). Tem uma vida financeiramente estável, trabalha duro a semana toda para, no ‘fds’ poder curtir um pouco e extravasar suas tensões acumuladas. Cada um relaxa, ou procura relaxar, de um modo que lhe seja melhor: cinema, shopping, festa, família, viagem, etc. Mas, novamente te pergunto: qual sua necessidade? Não falo da necessidade de trabalhar para subsistir e sustentar a família, mas de “sua necessidade”. O que você faz que a supre? Educar seu filho? Vê-lo ser feliz e realizado no futuro? Isso é sua necessidade ou necessidade de seu filho? Você vive para ele? Mas, e você? É feliz por constituir família? Mas, ainda assim, isso não responde a sua necessidade. Veja, sempre temos englobado algo relacionado ao meio e a outras pessoas, claro que falamos de pessoas importantes que são nossa família, mas, falo de suas necessidades, aquelas que só você sabe que tem, em seu âmago, preso, amordaçado por vezes. Essas necessidades são a incompletude humana. Perceba que, por vezes, embora tudo pareça estar relativamente bem, você encontra-se a reclamar de algo ou alguém e que sempre tem algo ou alguém contra você. Esse complexo de desconfiança não é para menos. É sua necessidade te alertando que tem algo errado, mas como ela não sabe outra forma de se expressar, ela cria situações que muitas vezes inexistem! Citei o exemplo do casal prototípico de nossa sociedade, mas agora vamos ver outras situações: se a pessoa é solteira por opção, ela acha que não precisa se casar para ser feliz. Mas, para as demais, ela é infeliz porque não se casa, embora, muitas destas pessoas casadas reclamem diariamente de suas relações. Pois bem, o solteiro pode ter liberdade de fazer tudo que quer sem prestar depoimento a “seu ninguém”, mas, ele também não tem suprido suas necessidades. Não falo de aspecto sexual ou outra inerente ao que nos é conhecido. Falo da essência humana que, por si só, é incompleta, bem como o hippie, o punk, o homossexual, etc. Na real, nunca ninguém se satisfaz, mesmo que faça aquilo que suas concepções dizem que é o melhor. Porque nossa essência tem a necessidade. Perceba como, por vezes, estamos cercados de pessoas e parece que estamos sós. Na verdade, essa sensação de vazio que nos invade é na verdade a essência que não cala. Sabe o que é mais angustiante? É que essa tal necessidade é inconsciente. Não teremos nunca acesso a ela. A prova disso é quando você deseja muito algo e depois que o consegue, o que você faz? Se dá por satisfeito? Não. Você sente novamente necessidade! De quê? Não esquente! Em breve aparece outro algo para você se ocupar. A única conclusão a que posso chegar a respeito da necessidade é a de que, por ser inconsciente e termos consciência disso, devemos nos conformar em termos o que “achamos que queremos” por algum tempo. Mesmo que você não consiga atingir seus intentos, se contente em saber que seus intentos seriam momentâneos e logo você buscaria outros, porque nunca atingimos a essência. Essa você busca eternamente e não sabe se vai achar. Aliás, sabe que vai achar algo, mas é muita pretensão você plasmar isso em algo ou alguém no mundo. Portanto, termino com a questão que é muito interessante: Qual sua necessidade?


Escrito por yama às 15h05
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Gold Compass

Acho um horizonte em meio a um caos inócuo
Percebo que existe uma regularidade que nos guia, mesmo estando envolto em relatividades
É algo que suplanta a razão lógica do saber circular
Ou ainda, algo que subjetiva a sensação
Percebo que, em meio a todo o caos que é nossa existência humana, existe sempre um norte
Uma bússola que nos guia e sempre aponta pra um norte distante
Mas, nos guia e nos conduz para todo o sempre para esse norte distante
Uma regularidade caótica
És tu.

Escrito por yama às 01h35
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Reflexões de um cidadão Kane


Entendo o quanto é difícil para a humanidade aprender. Nada é tão mais difícil que isso. Razão, emoção, sensação, sensitividade... todos esses elementos se entrelaçam em nossa mente e nos opacam a visão. Tudo sem, ao menos, termos certeza de nada. Quem tem? Só sei que o que eu queria ontem não quero mais hoje e se quero ainda, não é mais com tanta vivacidade. O que eu vou querer amanhã não será o mesmo de hoje. Com isso, podemos concluir que a vida não é uma reatualização diária de nosso cotidiano, mas sim, uma reconstrução diária de quem somos. Nunca somos os mesmos. E mudaremos sempre. A única coisa que quero manter é isso. Minha desamarra. Viver sem brincar de cobra-cega e nem ter que bater na estrela no escuro. Embora nosso futuro seja um escuro, quero poder olhar por baixo da flanela.

Escrito por yama às 13h46
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Novo dia

O sol nasce no horizonte todos os dias. Pessoas nascem todos os dias. Esperanças se criam todos os dias. Sonhos se realizam todos os dias.

O sol depõe-se no horizonte todos os dias. Pessoas morrem todos os dias. Esperanças se acabam todos os dias. Sonhos não se realizam todos os dias.

E ainda assim, todas as manhãs, vemos o sol nascer no horizonte...



Escrito por yama às 10h46
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O monge e o menino - II parte

     O menino retorna as montanhas mais altas do Tibet em busca do monge. Todo o sofrimento vivido por aquele povo fez com que eles evoluíssem mental e espiritualmente. A sabedoria dos monges que vivem em contato direto com a natureza é algo divino. Quando o menino finalmente encontra o monge, sente-se bem. Se ajoelha ante sua sabedoria e lhe diz: "Bom dia, sensei. Estou extremamente feliz em poder vê-lo novamente". De seu primeiro encontro haviam passado 9 anos. Muita coisa havia mudado na vida daquele menino. "Me lembro muito bem de você, querido. Você viveu um período conosco em nosso retiro. Tinha inúmeros questionamentos sobre a vida. Me diga, como vai você?"

     Então, o menino retoma a fala e diz o que esteve fazendo de sua vida: "Sensei, tenho vivido muito, mas te confesso que perdi um pouco o foco da vida. Acabei me rebelando contra muitas coisas e tenho sofrido muito. Não sei o que fazer e me sinto até envergonhado em te dizer que só o procurei agora, em um momento difícil de minha vida", afirmou o menino. "Na verdade, minha vida tem ido mau e não sei o que fazer. Vou te contar tudo". Eis então que o menino começa a relatar sobre sua vida ao monge. Conta que se casou com uma pessoa que não amava de verdade, teve filhos, o que agravou a situação e hoje pensa em separar-se. Quis ele enganar o coração. Casou-se com uma mulher de origem abastada e fina. Mas, na verdade, ele amava uma moça humilde que vivia próximo a sua casa, um amor que não se concretizou.

     Ao dizer isso, o sábio monge, que a esta altura estava com uma idade bem mais avançada e enxergava pouco, disse ao menino: "Você contou a essa moça que você amava ela?", disse. "Não, sensei. Minha família nunca apoiou esse romance e sempre engoli em seco esse amor que era considerado por todos como impossível". "Você nunca mais a viu?", "Nunca. Sumiu mesmo. E não sou feliz, vivo uma máscara, pois minha esposa não me realizou. Eu sabia disto e me casei assim mesmo. E a moça sempre me disse que me amava e que queria crescer comigo, queria lutar comigo pela vida. Mas sempre fui submisso aos meus pais e a sociedade. Acabei me anulando".

     O monge então, procura refletir sobre a situação: "Filho, de fato, você deixou passar a oportunidade. A vida dá muitas voltas e um dia você poderá revê-la, ou talvez, não. Na nossa vida devemos sempre estar decidindo as coisas, escolhas que nos levam para caminhos distintos, como uma porta. Algumas portas, após serem escolhidas, se fecham para sempre e você não tem mais a chave para abrí-las. Algumas, podem ser reabertas, mas, talvez o que você encontre do outro lado da porta, não seja mais a mesma coisa que você havia visto antes. Portanto, você deve conviver com essa escolha, que, não é fácil, ou procurar ser feliz. Nunca é tarde para sermos felizes, nunca é demais amar. Ainda mais se você crê no amor, no ser humano, no humanismo e em Deus!" As palavras do monge soaram encorajadoras para o menino ao passo que ele diz: "O que você me recomenda sensei?".  O monge então diz: "Se como você mesmo diz, passaram-se tantos anos e o sentimento pela pessoa está intacto, é o momento de você procurar entender melhor você. A sociedade sempre vai exigir respostas suas, bem como seus familiares vão propôr o que é melhor para você dentro da concepção deles. Mas nem sempre o que nossos entes pensam ser bom para nós, é bom para nós. Eles agem racionalmente, dentro de pensamentos que vão de encontro com as exigências sociais. Mas, as exigências sociais nem sempre atendem a nossa necessidade, a nossa realização pessoal.E estar do lado da pessoa amada é sinal de sucesso. O amor verdadeiro engrandece ambas e fazem com que elas tomem atitudes mais firmes perante o mundo, para atingir seus objetivos, quais sejam, casar, ter filhos, viver dignamente, etc. Basta o sentimento ser puro, verdadeiro e sublime".

     Com tudo o que foi dito pelo monge, o menino cria coragem, reza um pouco, agradece mais uma vez ao monge ajoelhando-se e recebendo suas preces na cabeça, e segue em destino de sua felicidade.

    

  



Escrito por yama às 09h42
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Não pára mais

Vou abrir a janela do quarto para pescar umas piabas...

Escrito por yama às 00h00
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ÁS DE COPAS

Não sei mais o que dizer

Nem tão pouco o que fazer

Minha carta queu guardo a manga

Já se foi sem mesmeu ver.

 

Fico a espera do milagre

que de longe não se vê

Atentando por delírios

Que me possam entorpecer.

 

Caio sempre na enxurrada

Que carrega até os carros

Nado muito contra a maré

Fico sempre com uns calos.

 

Estou ficando cansado

Um cansaço sem descanso

Vou a rede balançar

Esse meu profundo ranço.



Escrito por yama às 12h41
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Tudo ao seu tempo

O mundo gira

O dia chega

A noite vai

Os anos vão.

 

A minha vida

Vem sendo lida

melhor pedida

Em minha mão.

 

Começa o ano

Termina o outro

Chegando lá

Na estação.

 

Vou para casa

Sem ela em volta

Estou no inverno

Longe o verão.

 

Pedida é a mesma

Fico esperando

Mudar o clima

da estação.

 

Quem sabe um dia

de alegria

Reluza luz

Ah, emoção.

 

 



Escrito por yama às 12h50
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Bomba relógio

Explode dentro do peito

Desvicera os miúdos

bordados vermelhos se camuflam aos orgãos

e ainda assim, a ausência de voz dói mais que tudo...



Escrito por yama às 23h55
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ECO

Eu falo com o silêncio. Com a voz que cala e é ouvida. Com a voz que sai dos meus olhos e penetram em ti, diretamente em sua fronte. Eu falo com o lagrimar do peito, que de noite me acompanha, por não saber onde anda minha dor. Falo muito com o ouvido, que houve, por vezes, a melodia recitada próxima de mim, que como um canto de Sereia, me enebria e me acorda, quando o sonho era muito mais prazeroso. Eu falo com a solidão, que está sempre comigo, rodeada de pessoas em minha volta. Falo com tudo isso, com todos sentidos, menos, com a voz. Esse me falta quando mais preciso, pois tento falar por ele, com ouvidos moucos, que o são, e eu sei. Por isso, falo com o silêncio, até quando eu poderei...

Escrito por yama às 21h56
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Lamento

Na vida tudo é passageiro

Como a brisa de outono

Como o calor do verão

E o lagrimar de solidão.

 

Na vida tudo passa

Inclusive ela própria

Nascemos, crescemos e morremos

Mas contamos uma história.

 

Na vida tudo se vai

Como um pássarinho que aprende a voar

que deixa seu próprio ninho

a procura de seu próprio lar.

 

Na vida tudo relampeja

como o estrondo do trovão

que se vai tão rapidamente

quanto nós adentrarmos o chão.

 

Na vida tudo é vida

mas também é morbidez

ficar parado e estático

é sinal de insensatez.

 

Na vida tudo se acaba

Como ela própria um dia

que anuncia a hora de chegada

mas nem sempre a hora de saída.

 

Na vida tudo se esvazia

como uma ampulheta que passa areia

chegando do outro lado

acabou-se mais um dia.

 

Na vida tudo é oportunidade

não deixe ela passar

pois passando é como um rio

que deságua noutro lugar.

 

 



Escrito por yama às 00h03
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